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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Vampiros de epócas passadas

A lenda de Drácula e a lenda do vampiro moderno que surgiu a partir dele foi inspirada diretamente pelo folclore do leste europeu. A história registra dezenas de figuras míticas vampirescas nessa região, remontando há centenas de anos. Todos esses vampiros têm seus hábitos e características particulares, mas a maioria cai em uma das duas categorias gerais:
*demônios (ou agentes do mal) que reanimavam cadáveres para que andassem entre os vivos;
*espíritos de pessoas mortas que não deixavam seus próprios corpos.
Os vampiros mais notáveis eram o upir russo e o vrykolakas grego. Nessas tradições, pecadores, crianças não-batizadas e outras pessoas que não tivessem a fé cristã eram as mais propensas a se tornar vampiros após suas mortes. Os que praticavam bruxaria eram particularmente mais suscetíveis, pois já haviam entregue suas almas ao demônio enquanto eram vivos. Depois que os cadáveres saíam dos túmulos, aterrorizavam a comunidade, alimentando-se dos vivos.
Em muitos registros, era necessário que esses cadáveres retornassem regularmente aos seus túmulos para descansar. Quando as pessoas da cidade suspeitavam que alguém havia se tornado um vampiro, exumavam o corpo e tentava se livrar do mau espírito. Tentavam o ritual do exorcismo, mas era mais comum destruírem o corpo. Isso podia ser feito através de cremação, decapitação ou com uma estaca no coração. Os corpos também podiam ser enterrados de bruços para que os cadáveres fossem mais para dentro da terra. Algumas famílias colocavam estacas sobre o cadáver para que este se empalasse caso tentasse escapar.
Os vampiros da Moldávia, Wallachia e Transilvânia (agora Romênia) eram comumente chamados de strigoi. Os strigoi eram quase exclusivamente espíritos humanos que tinham retornado dos mortos. Diferentemente do upir e dos vrykolakas, os strigoi passavam por diversos estágios antes de retornar dos mortos. Inicialmente, um strigoi podia ser invisível, atormentando sua família movendo móveis e roubando comida. Depois de algum tempo, ele se tornava visível, com aparência igual à que tinha em vida. Novamente, o strigoi retornava para sua família, roubando o gado, implorando por comida e trazendo doenças. Os strigoi se alimentavam de humanos. Primeiro, dos membros de sua família, depois de qualquer um que encontrassem. Em alguns registros, o strigoi sugava o sangue de suas vítimas diretamente do coração.
O strigoi do leste europeu: os strigoi, cadáveres reanimados que caçam humanos, inspiraram muitas das lendas dos vampiros modernos

Inicialmente, um strigoi precisava retornar ao túmulo regularmente, assim como o upir. Se as pessoas da cidade suspeitassem que alguém havia se tornado um strigoi, exumavam o corpo e o queimavam ou, ainda, o espetavam. Mas depois de sete anos, se um strigoi ainda estivesse por ali, poderia viver onde quisesse. Dizia-se que os strigoi viajavam para cidades distantes para começar vidas novas como pessoas comuns e que esses vampiros secretos se encontravam em reuniões semanais.
Além dos strigoi, referidos como strigoi mort, as pessoas também temiam os vampiros vivos ou strigoi viu. Os strigoi viu eram pessoas vivas amaldiçoadas condenadas a se tornar strigoi mort quando morressem. Crianças nascidas com anormalidades, como rabos ou um pouco de tecido da membrana fetal ligado à cabeça (chamado de caul), eram geralmente considerados strigoi viu. Se um strigoi mort que vivesse entre os humanos tivesse filhos, estes eram amaldiçoados e condenados a se tornarem strigoi após sua morte. Quando um strigoi viu morria, a família destruía seu corpo para assegurar que este não retornaria do túmulo. 
Em outras partes do leste europeu, criaturas do tipo strigoi eram conhecidas como vampir, ou vampyr, mais provavelmente uma variação do russo upir. Os países do oeste europeu pegaram esse nome e o "vampyr" (mais tarde "vampiro") entrou para o idioma inglês. 
Nos séculos 17 e 18, a histeria sobre os vampiros se espalhou por todo o leste europeu. As pessoas diziam ter visto seus parentes mortos andando por aí atacando os vivos. As autoridades abriram sepulturas, queimando e colocando estacas nos cadáveres. Esses relatos e o medo dos vampiros se espalharam também pelo oeste europeu, o que gerou especulações acadêmicas sobre as criaturas, bem como poemas e pinturas sobre vampiros. Esses trabalhos inspiraram um irlandês chamado Bram Stoker a escrever seu romance vampiresco "Drácula". Na próxima postagem, mostrarei como esse trabalho se encaixa na evolução dos conhecimentos sobre os vampiros.  











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